terça-feira, 14 de agosto de 2018

Ato Contínuo


Gosto
quando escrevo algo,
e depois me embriago
com o que escrevi.

A poesia está ai:
no ato de se embriagar,
sem beber, sem fumar,
sem usar nenhum artefício.

Poetar não é um ofício...
Poetar é um vício,
difícil de explicar.

Tem poeta que ganha com isso.
Mas é um acontecimento.
Poesia não é um "invento"...

Poesia é um momento,
que poucos conseguem enxergar.

A.J. Cardiais
11.08.2018
imagem: google

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Acreditando no Desafio


Quando a poesia me ronda,
não tenho como escapar...
Nado a favor da onda,
tentando não me cansar.

Quando dona inspiração
resolve dar um empurrão,
é que eu consigo poetar.
Sem este empurrão, não dá.

Ficar ruminando uma ideia,
para agradar a plateia,
não é do meu feitio...

Chego, penso e faço...
Sou de mudar o compasso,
acreditando no desafio.

A.J. Cardiais
18.06.2018
imagem: google

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Veias Pasto


Sinto-me um bravo quando escrevo,
e acho que não devo
satisfação a ninguém.
Talvez algum vintém.

Palavras são como cavalos
que, quando são domadas,
fazem calos
nas imaginações alheias.

Elas pastam em minhas veias:
comem, bebem, cagam, mijam...
Acham um pasto perfeito.

Por isso fico sem jeito,
na hora que tento dominá-las,
receando que elas 

façam as malas.

A.J. Cardiais
14.08.2017 
imagem: google

Cruzamento


Às vezes escrevo aleatoriamente...
Solto as palavras simplesmente,
e deixo que elas naveguem
pelo oceano da mente.

Cardumes de palavras piscam,
esperando que eu as pesque,
para fazerem parte do meu leque
de insubordinações.

Palavras tecem opiniões,
pregam emoções
e crucificam.

Os poetas se arriscam,
com suas imaginações,
quando cruzam este oceano.

A.J. Cardiais
14.08.2017
imagem: google



quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Ritual da Inspiração


Eu faço o que faço,
sem me preocupar em ser
uma "portinha do saber".
Quem sabe, um poetaço.

Simplesmente faço,
e comodamente realço
a ideia que vem
ao meu encalço,
como um desgovernado trem
de aço.

Procuro rezar num compasso,
que fique bem
para o poema que faço. 
Quando agrada a alguém,
eu digo amém.

A.J. Cardiais
04.11.2016
imagem: google

Obs: Segundo o dicionário,
poetaço é o poeta que escreve
versos maus.

Na Boca da Poesia


Não ponho palavra
na boca da poesia,
pois sei que é ousadia
e posso  deixa-la brava.

Também não puxo a trava,
para rebuscar a linguagem,
porque é uma sacanagem
fazer uma poesia escrava.

Se sou adepto da liberdade,
procuro fazê-la à vontade,
ao meu bel prazer...

Poetar como um dever,
é muita responsabilidade
para quem quer espairecer.

A.J. Cardiais
31.07.2018
Imagem: google

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Peixe na Rede


O coração do poeta
se destrói
e se reconstrói
de forma indireta.

Quando está amando,
ama intensamente...
Isto vai o tornando
um inconsequente.

O poeta não mede,
o poeta não cede...
Ele quer matar a sede.

Depois da sede morta,
o poeta então se comporta
como um peixe na rede.

A.J. Cardiais
11.02.2017
imagem: google

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Pela Continuação da Espécie


Não escrevo pro vazio,
procurando a beleza
ou a riqueza das rimas...

Escrevo por um cio;
pela continuação do poema.

De tempos em tempos,
tudo muda, tudo se transforma,
tudo ganha outra forma...

Mas o poeta caduco,
escreve como um maluco,
atropelando a norma.

A.J. Cardiais
12.05.2018
imagem: google